Ciência e Estudos
Os cientistas estão aprendendo cada vez mais sobre porque nossos corpos envelhecem. Um dos principais motivos envolve as glicotoxinas (AGEs). Essas toxinas são tão prejudiciais que especialistas as chamam de gerontotoxinas. Esse nome vem da palavra gerontologia, que é o estudo do envelhecimento. Acredita-se que a presença de AGEs acelerem a velocidade com que envelhecemos. Elas fazem o corpo entrar em declínio de várias formas, afetando tanto a aparência quanto o funcionamento dos órgãos. Compreender essas toxinas é uma excelente maneira de assumir o controle da sua saúde a longo prazo.
O que são glicotoxinas (AGEs) e por que se importar
Glicotoxinas, também chamadas de Produtos Finais de Glicação Avançada ou AGEs, são compostos que se formam quando açúcares reagem com proteínas e gorduras. Quando acumuladas no organismo, elas estão associadas ao envelhecimento celular e a doenças crônicas como diabetes, doenças cardiovasculares e inflamação crônica.
O que são os Produtos Finais de Glicação Avançada?
Os Produtos Finais de Glicação Avançada são compostos que se formam no corpo humano. Eles também se formam nos alimentos que consumimos. Elas agem como uma camada de ferrugem sobre as células. Com o tempo, esse acúmulo causa muitos danos aos sistemas do corpo.
Quando as glicotoxinas se acumulam, eles provocam algo chamado ligação cruzada (crosslinking). Isso significa que eles unem proteínas que não deveriam estar ligadas entre si. Imagine se as peças de uma máquina fossem coladas umas às outras. A máquina deixaria de funcionar eventualmente. É exatamente isso que acontece no corpo humano. Quando as proteínas sofrem ligação cruzada, os tecidos se tornam muito rígidos. Essa rigidez é um sinal de envelhecimento que afeta praticamente todas as partes do corpo.
Como as glicotoxinas causam estresse e danos
As glicotoxinas fazem mais do que apenas deixar os tecidos rígidos. Eles também criam estresse oxidativo, um tipo de reação química que danifica as células. É como a ferrugem que se forma em um carro e que se não for interrompida, ela se espalha e enfraquece o metal.
No corpo, esse estresse leva à inflamação constante. A inflamação é a forma que o corpo tem de combater danos, mas deveria durar apenas um curto período de tempo. Quando as glicotoxinas estão presentes, a inflamação se mantém ativa. Essa inflamação crônica é muito perigosa, pois desgasta os órgãos e dificulta a capacidade do corpo de se reparar. Esse ciclo de estresse e inflamação é um dos principais motivos do processo de envelhecimento.
O impacto das glicotoxinas no cérebro e nos olhos
O cérebro é extremamente sensível a toxinas. Quando as glicotoxinas se acumulam no cérebro, eles podem levar à demência. Isso acontece porque os tecidos cerebrais se tornam rígidos e inflamados. A ligação cruzada das proteínas impede que as células cerebrais se comuniquem adequadamente, o que pode resultar em perda de memória e confusão ao longo do tempo.
Os olhos também estão em risco. As glicotoxinas estão associadas ao desenvolvimento de cataratas, que ocorrem quando o cristalino do olho se torna opaco, dificultando a visão. Essas toxinas também contribuem para a degeneração macular, uma das principais causas de perda de visão em adultos mais velhos. Manter baixos os níveis de glicotoxinas é uma estratégia inteligente para proteger a visão ao longo do envelhecimento.
Saúde do coração e rigidez arterial
O coração e as artérias precisam ser flexíveis para funcionar adequadamente. As glicotoxinas tornam esses tecidos rígidos e endurecidos, o que leva a diversos problemas cardíacos graves. Um dos mais comuns é a hipertensão ou pressão alta. Quando as artérias estão rígidas, o coração precisa trabalhar muito mais para bombear o sangue. Esse esforço extra pode levar a:
• Aterosclerose: Endurecimento das artérias por acúmulo de placas
• Insuficiência cardíaca: Devido ao desgaste do músculo cardíaco.
• Acidente vascular cerebral (AVC): Que ocorre quando o sangue não consegue chegar adequadamente ao cérebro.
Ao reduzir essas toxinas, você ajuda seu coração a permanecer forte. Artérias flexíveis permitem que o sangue flua com facilidade, mantendo a pressão arterial em níveis saudáveis.
Danos aos rins, ossos e músculos
As glicotoxinas não afetam apenas o coração. Elas também atacam os rins. A doença renal é uma consequência comum do excesso de AGEs no organismo. Os rins funcionam como filtros do sangue, e quando se tornam rígidos devido à ligação cruzada, não conseguem eliminar adequadamente os resíduos. Isso cria um ciclo perigoso, no qual ainda mais toxinas permanecem no corpo.
Os ossos e os músculos também são alvos dessas gerontotoxinas. Elas podem levar à osteoporose, tornando os ossos fracos e quebradiços, o que aumenta o risco de fraturas. Essas toxinas também causam perda muscular. Com o avanço da idade, manter a massa e a força muscular é essencial para a mobilidade e a independência. As glicotoxinas dificultam esse processo.
De onde vem essas toxinas?
Existem duas principais fontes de glicotoxinas na vida cotidiana. Conhecer ambas é fundamental para gerenciar os riscos.
🔹Fontes Internas de AGEs: A primeira fonte é o próprio corpo. O organismo produz AGEs como um resíduo natural do metabolismo. As células trabalham constantemente para manter a vida, e esse trabalho gera subprodutos químicos. Esse é um processo inevitável e faz parte da condição humana.
🔹Fontes Alimentares de AGEs: A segunda fonte é a alimentação, e essa é a que podemos controlar. Os alimentos escolhidos e a forma de preparo fazem diferença. Alguns alimentos já são naturalmente ricos nessas toxinas, enquanto outros as desenvolvem quando são cozidos de determinadas maneiras. É aqui que existe poder de escolha para melhorar a saúde. Ao fazer escolhas alimentares melhores, é possível reduzir a quantidade de toxinas que entram na corrente sanguínea.
Alimentos ricos em glicotoxinas (AGEs)
1. Carnes e alimentos de origem animal:
🚫 Carnes vermelhas (bife, carne de vaca, cordeiro): especialmente grelhadas, assadas ou fritas.
🚫 Frango e outras aves: grelhados, assados ou fritos.
🚫 Peixes e frutos do mar: preparados com calor intenso e seco (grelhar ou assar).
2. Queijos e produtos lácteos integrais
🚫 Queijos ricos em gordura (como queijo cheddar e parmesão).
🚫 Manteiga e creme de leite (contêm AGEs mesmo sem cozimento intenso).
3. Ovos
🚫 Ovos fritos ou assados têm níveis mais altos de AGEs comparados a ovos cozidos em água (poché ou cozido).
4. Alimentos fritos ou processados
🚫 Alimentos fritos em geral (batatas fritas, “fast-foods”, snacks empanados).
🚫 Produtos altamente processados (salgadinhos industrializados, carnes processadas como salsicha e bacon).
A história da pesquisa sobre glicotoxinas
Durante muito tempo, os cientistas não acreditavam que as glicotoxinas provenientes da dieta fossem um problema. Na década de 1970, estudos realizados em ratos sugeriram que essas substâncias não eram bem absorvidas pelo organismo. Por isso, as fontes alimentares foram ignoradas por cerca de 25 anos. Acreditava-se que o que se comia não afetava os níveis dessas toxinas no sangue.
Essa visão mudou quando os cientistas passaram a estudar seres humanos. Os resultados foram surpreendentes: descobriu-se que os humanos absorvem sim essas toxinas dos alimentos. Uma vez na corrente sanguínea, elas se tornam ativas e começam a causar danos químicos e biológicos imediatamente. Essa descoberta confirmou que a alimentação é uma fonte importante dessas toxinas associadas ao envelhecimento.
Como reduzir a ingestão de glicotoxinas na prática
Se a meta é reduzir substancialmente a presença de AGEs na dieta, aqui vão estratégias simples e efetivas:
✅ Reduza carnes, especialmente processadas: cortes grelhados, bacon e salsichas tendem a concentrar muitos AGEs.
✅ Prefira métodos de cozimento úmidos: sopas, ensopados, cozidos e vapor resultam em menos formação de AGEs do que frituras, grelhados e assados em altas temperaturas.
✅ Aposte em alimentos vegetais integrais: frutas, verduras, legumes, grãos e leguminosas apresentam, em geral, níveis muito mais baixos de AGEs.
✅ Evite alimentos muito processados e super aquecidos: fast food frito, produtos empanados e alimentos com crostas chamuscadas concentram mais glicotoxinas.
✅ Substitua refeições com carnes por opções à base de plantas: uma dieta rica em vegetais e preparada com calor úmido pode reduzir a ingestão de AGEs pela metade.
Resumo dos riscos à saúde
As glicotoxinas representam uma séria ameaça à saúde a longo prazo, afetando quase todos os sistemas do corpo. Seus principais impactos incluem:
🔸Cérebro: aumento do risco de demência.
🔸Olhos: desenvolvimento de cataratas e perda de visão.
🔸Coração: hipertensão e insuficiência cardíaca.
🔸Ossos: contribuição para osteoporose e fragilidade.
🔸Rins: doença renal e comprometimento da filtragem.
Protegendo seu futuro
É possível desacelerar o processo de envelhecimento. Embora não seja possível impedir totalmente as toxinas produzidas naturalmente pelo corpo, a alimentação pode ser controlada. Reduzir a ingestão de AGEs é uma das melhores atitudes para proteger a saúde. Priorize alimentos preparados em baixas temperaturas e com bastante umidade.
Observe seus hábitos na cozinha: Você cozinha frequentemente em temperaturas muito altas? Consome muitos alimentos ricos em glicotoxinas?
Com algumas mudanças simples, é possível proteger o coração, o cérebro e a visão. Manter-se informado sobre as gerontotoxinas é o primeiro passo para uma vida mais longa e saudável. Comece a escolher alimentos que ajudem você a se manter jovem por dentro e por fora.
Fonte:
Vídeo: https://nutritionfacts.org/video/glycotoxins/
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