Nutrição
O sal está presente na mesa da maioria das famílias e faz parte do preparo de praticamente todas as refeições. Mas diante de tantas opções nas prateleiras, surge uma dúvida comum... existe um tipo de sal mais saudável? A resposta pode não ser a que você espera.
O sal é um ingrediente essencial para o organismo. Ele fornece sódio, um mineral indispensável para a transmissão dos impulsos nervosos, a contração muscular e o equilíbrio dos líquidos corporais. Como acontece com muitos nutrientes, tanto a deficiência quanto o consumo excessivo de sódio podem comprometer a saúde.
Por isso, quando falamos em escolher um sal, vale muito mais a pena observar a composição do produto do que se deixar levar por promessas de marketing.
🧂 O que observar no rótulo?
O ideal é encontrar uma lista simples de ingredientes:
• Sal (cloreto de sódio)
• Iodato de potássio (ou outro composto de iodo autorizado)
A adição de iodo ao sal é considerada uma das estratégias de saúde pública mais bem-sucedidas do mundo. Ela ajuda a prevenir a deficiência de iodo, um nutriente essencial para o funcionamento adequado da tireoide e para o desenvolvimento neurológico, especialmente durante a gestação e a infância.
Alguns produtos também contêm antiumectantes, como ferrocianeto de sódio, ferrocianeto de potássio, dióxido de silício ou carbonato de magnésio. Esses ingredientes são utilizados para evitar que o sal absorva umidade e empedre durante o armazenamento.
Até o momento, não existem evidências científicas de que esses aditivos, quando utilizados dentro dos limites estabelecidos pelos órgãos reguladores, representem riscos para a saúde.
E os sais "especiais"?
É comum encontrar a ideia de que o sal rosa do Himalaia, o sal marinho ou a flor de sal seriam nutricionalmente superiores ao sal refinado. Embora esses produtos contenham pequenas quantidades de outros minerais, as evidências científicas mostram que essas quantidades são insuficientes para produzir benefícios relevantes à saúde quando consumidas nas porções habituais.
→ Isso significa que pagar mais caro por um determinado tipo de sal não garante uma escolha mais saudável.
O que realmente faz diferença?
A resposta é simples, é a quantidade total de sal consumida ao longo do dia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda consumir menos de 5 gramas de sal por dia, o equivalente a aproximadamente uma colher de chá. Outro ponto importante é que a maior parte do sódio consumido pela população não vem do saleiro, mas dos alimentos ultraprocessados, como embutidos, temperos prontos, salgadinhos, refeições congeladas, molhos industrializados e diversos produtos prontos para consumo.
Por isso, uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, associada ao uso moderado do sal no preparo das refeições, tem um impacto muito maior na saúde do que escolher um tipo específico de sal.
Leve essa dica para a próxima compra e na próxima vez que estiver no supermercado, reserve alguns segundos para virar a embalagem e ler a lista de ingredientes. Esse hábito simples ajuda você a conhecer melhor os produtos que consome e a fazer escolhas mais conscientes.
No fim das contas, a ciência mostra que a pergunta mais importante não é "qual é o melhor sal?", mas sim "quanto sal estou consumindo todos os dias?"
Fontes:
https://www.who.int/publications/i/item/9789241504836
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