Como Não Morrer: O que Colocamos no Prato está Decidindo Quanto Tempo Vamos Viver

A ciência mostra como a alimentação diária influencia diretamente as doenças que mais matam no mundo e como mudar isso está ao nosso alcance

Existe uma ideia muito confortável que aprendemos desde cedo. A de que infarto, diabetes, obesidade, câncer e Alzheimer fazem parte do destino humano. Algo que simplesmente acontece quando envelhecemos... como se fosse um roteiro biológico inevitável.

O documentário How Not to Die (Como Não Morrer) começa desmontando exatamente essa crença. A proposta é direta e ao mesmo tempo desconcertante. E se a maior parte das doenças que mais matam no mundo não fosse resultado do envelhecimento natural, mas consequência direta do que comemos todos os dias durante décadas?

Baseado no livro do médico e pesquisador Michael Greger, o documentário reúne médicos, pesquisadores e especialistas em medicina preventiva para apresentar uma tese que já está muito bem documentada na literatura científica. A alimentação moderna, rica em produtos de origem animal, alimentos ultraprocessados, açúcar e gorduras refinadas, não apenas contribui para doenças crônicas. Ela é um dos principais motores dessas doenças.

→ E o mais importante... isso pode ser revertido!

A epidemia silenciosa que começa no prato

O documentário mostra que as principais causas de morte no mundo não são infecciosas, são crônicas. Doenças cardíacas, diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer, obesidade, doenças hepáticas, insuficiência renal, demência. Condições que levam anos para se manifestar e que, na maioria das vezes, são tratadas como fatalidades genéticas. O Dr. Michael Greger questiona essa narrativa mostrando evidências de que essas doenças são altamente influenciadas por padrões alimentares repetidos ao longo do tempo.

Não é um evento isolado, e sim o acúmulo de decisões diárias aparentemente pequenas.

O café da manhã, o almoço, o jantar e os lanches moldam o ambiente interno do corpo. Inflamação, resistência à insulina, acúmulo de placas nas artérias, estresse oxidativo. Tudo isso responde diretamente ao que chega pelo sistema digestivo.


O ponto que a medicina tradicional demorou a enfatizar

Um dos aspectos mais fortes do documentário é mostrar como a medicina moderna avançou muito em tratamento, mas historicamente investiu pouco esforço em prevenção alimentar. Existem medicamentos excelentes, procedimentos cirúrgicos sofisticados, tecnologias impressionantes, mas muitas vezes a pergunta mais simples não é feita com a devida ênfase. "O que essa paciente come todos os dias?"

O trabalho apresentado por Greger, amplamente documentado no nutritionfacts.org, mostra estudos que analisam as quinze principais causas de morte e como padrões alimentares baseados em vegetais, ricos em fibras, antioxidantes, vitaminas e minerais, estão associados a menor incidência dessas doenças.

→ Não como uma tendência mas como um padrão consistente em diferentes populações e estudos ao longo de décadas.


A ideia que surpreende muita gente: a reversão

Talvez a parte mais impactante do documentário seja quando médicos explicam que não se trata apenas de prevenir. Em alguns casos, é possível melhorar quadros que já estão instalados.

Estudos mostram redução de placas nas artérias coronárias com mudanças profundas na alimentação. Melhora da sensibilidade à insulina em diabéticos, redução de inflamação sistêmica, perda de peso sustentável sem restrições extremas, apenas mudando a qualidade do que é ingerido. O corpo possui uma enorme capacidade de recuperação quando deixa de receber agressões constantes e passa a receber nutrientes que favorecem reparo celular.

→ Isso não é milagre, é fisiologia.


O que (deveria) aparecer repetidamente como base alimentar?

Alimentos ricos em fibras que alimentam a microbiota intestinal, compostos antioxidantes que protegem as células, nutrientes que regulam metabolismo, pressão arterial e resposta inflamatória. Comida que vêm da terra e in natura (sem nenhum tipo de processo):

✅ Frutas

✅ Verdura

✅ Legumes

✅ Grãos integrais

✅ Leguminosas como feijão e lentilha

✅ Sementes

✅ Oleaginosas 

Ao mesmo tempo, o documentário mostra evidências associando o consumo frequente de carnes processadas, carnes vermelhas, laticínios ricos em gordura e ultraprocessados com maior risco de diversas doenças crônicas.

→ A mensagem não é comer menos, é comer melhor.


Informação que compete com interesses econômicos

O documentário também toca em um ponto delicado. A forma como a indústria alimentícia influencia a percepção pública sobre o que é saudável. Ao longo da história, vimos isso acontecer com o tabaco... durante anos haviam dúvidas fabricadas apesar das evidências claras.

Hoje, algo parecido ocorre com a alimentação. Existe um volume enorme de informação científica disponível, mas essa informação disputa espaço com marketing, tradição cultural e interesses econômicos muito fortes.

→ O resultado é confusão.


Esse documentário que não quer assustar, mas despertar... No final, How Not to Die não é sobre medo da morte, é sobre autonomia. A ideia de que grande parte do nosso risco para as doenças mais comuns da atualidade está, literalmente, nas nossas mãos todos os dias.

→ Lembre-se: Pequenas escolhas repetidas por muitos anos constroem saúde ou constroem doença. E a boa notícia é que nunca é tarde para mudar a direção.


Fontes:

Base científica e conteúdo do trabalho do Dr. Michael Greger: https://nutritionfacts.org/topics/how-not-to-die/

Assista também: https://watch.unchainedtv.com/featured-category/videos/how-not-to-die-2

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